O Primeiro Presente de Natal

Um Conto de Generosidade e Conexão Humana

O Primeiro Presente de Natal — a story by Pemba Umoja

Quando o pai de Giuseppe veio para a América, trouxe um saco cheio de sementes de castanha. Waggy era uma cachorrinha pequena, muito fofa, marrom e branca, embora algumas pessoas a chamassem de branca e marrom. Ela tremia tanto que era difícil dizer se era o rabo que abanava o corpo, ou se era o corpo que abanava o rabo. É por isso que Papa Giuseppe a chamava de Waggy. Waggy era uma cachorrinha muito especial. E estava muito animada para seu primeiro, primeiríssimo Natal.

O dono de Waggy também era bastante especial, embora um tanto peculiar. Seu nome era Papa Giuseppe, e ele tinha 85 anos. Papa Giuseppe adorava contar histórias. "Quando eu era mais jovem, vim da Itália com nada além de um bolso cheio de sementes de castanha. Trabalhei em uma fábrica de fivelas de cinto até ganhar dinheiro suficiente para comprar um pequeno pedaço de terra. Então me tornei um produtor de castanhas. Assim como meu pai e o pai do pai dele."

Durante o inverno, Papa Giuseppe empurrava seu pequeno carrinho de castanhas por toda a Montgomery Street até o centro de Raleigh para vender suas castanhas assadas. Waggy caminhava ao lado dele. Papa Giuseppe não conseguia andar muito depressa, e Waggy fazia mais meneios do que passos. Ela estava sempre tão animada. A dupla compunha uma cena muito inusitada. Mas as castanhas — dava para senti-las a quilômetros de distância.

Em Westtown, vivia uma menininha de oito anos que não gostava muito do inverno. Na verdade, ela detestava o inverno. Seu nome era Nancy Prichard. A primeira vez que Papa Giuseppe conheceu Nancy, ela trazia uma careta de inverno. E tremia quase tanto quanto Waggy se remexia.

Papa Giuseppe se lembra muito nitidamente da primeira vez que conheceu Nancy. Ele estava em seu lugar de sempre, na esquina da St. James com a Appleton — bem perto da entrada da loja de departamentos Dillon's. Papa Giuseppe viu Nancy sair pela porta da Dillon's, segurando a mão da mãe. Também podia ver o rastro de fumaça de castanhas derramando um aroma saboroso pelo ar e, magicamente, envolvendo a cabeça de Nancy em uma nuvem morna.

A primeira coisa que Papa Giuseppe notou foi a transformação de Nancy. Sua careta de inverno explodiu em um sorriso de inverno. Seus dentes reluziram no sorriso. Ela até pareceu soltar o mais leve risinho, capaz de embaçar seu hálito. A mãe de Nancy se virou para ela em completo assombro. Não era o primeiro sorriso de inverno de Nancy naquela tarde, nem naquele dia, nem mesmo naquele mês ou ano. Era o primeiro sorriso de inverno de Nancy de toda a vida!

E, apesar de a mãe de Nancy estar levando Nancy para o lado esquerdo, Nancy começou a puxar a mãe para a direita, seguindo aquele fio mágico de fumaça saborosa e cheia de aroma, direto até o carrinho de Papa Giuseppe.

"O que é isto?" perguntou Nancy, de forma bastante mecânica, como se tivesse ficado hipnotizada.

Papa Giuseppe abriu um sorriso e, em seu inglês quebrado, explicou: "Ora, são castanhas, minha querida. Você nunca comeu uma?" E, com isso, encheu um saquinho delas e o entregou a ela. "Feliz Natal", disse ele. "O primeiro saquinho é por minha conta."

Quando o saquinho quentinho tocou as mãos frias de Nancy, elas logo se aqueceram. Ela apertou as castanhas com força e sorriu outra vez. "Elas são para comer, não para apertar!" riu Papa Giuseppe.

"Mas são tão quentinhas."

"São ainda mais gostosas pela língua do que pelo toque," riu Papa Giuseppe. "Mas você tem que descascá-las. Só descasque a pele assim," demonstrou, "e coloque na boca."

E pôr na boca foi o que Nancy fez. Foi uma mastigação lenta e, enquanto mastigava, seus olhos se reviravam. Era como se pensasse que sua primeira castanha assada seria a última. Ela simplesmente não queria engolir.

"Não se preocupe," riu Papa Giuseppe. "Você tem um saco cheio — e eu tenho um carrinho cheio caso seu saco acabe. Eu venho aqui todo domingo das 11 às 15."

A mãe de Nancy deu um sorriso intrigado para Papa Giuseppe. Simplesmente não sabia o que pensar disso, mas estava muito feliz em ver Nancy tão contente em um dia frio e ventoso de inverno.

"Tenho certeza de que voltaremos," disse a mãe de Nancy. "A propósito, posso ter um saco?"

Papa Giuseppe viu Nancy e sua mãe se afastarem — um pouco mais devagar do que de costume — enquanto descascavam e saboreavam as castanhas quentes e assadas. Era como se uma luz preenchesse seus corações e seus olhos a cada mordida.

Nancy decidiu voltar — não apenas toda semana, mas todos os dias. Descobriu que Papa Giuseppe passava pelo metrô na Rua E, a mesma parada que ela e sua mãe usavam a caminho da escola. Papa Giuseppe adorava ver Nancy.

Um dia, Papa Giuseppe chegou com o cachorro mais fofo que Nancy já tinha visto. Era difícil saber se o cachorro abanava o rabo ou o rabo abanava o cachorro — o corpo inteiro parecia se requebrar!

"O nome dele é Waggy," riu Papa Giuseppe. "Ele também gosta de castanhas."

"Ele para de se requebrar alguma vez?" perguntou Nancy.

"Não," disse Papa Giuseppe. "Acho que ele nunca vai parar de se requebrar perto de você, querida. Ele gosta demais de você!"

Toda vez que Nancy via Papa Giuseppe, ele a deixava levar Waggy para passear. Agora ela tinha o melhor dos dois mundos — castanhas quentes e Waggy. O inverno não era tão ruim afinal.

Ela também ia se afeiçoando a Papa Giuseppe. Ele compartilhava histórias da velha terra — da Itália. Contou-lhe como seus pais, certa vez, o enviaram a um mosteiro no alto de uma colina para se tornar padre quando tinha 16 anos. Mas, um dia, ele saiu pela janela e decidiu vir para a América.

Nancy achava que Papa Giuseppe era corajoso, e engraçado, e talvez um pouco louco também!

Não eram apenas as castanhas ou Waggy que Nancy amava. Era o próprio Papa Giuseppe. Nancy não tinha avós. Papa Giuseppe era o mais próximo que ela conhecia.

Se ele não fosse Papa Giuseppe, ela pensou, poderia ser Papai Noel. Mas provavelmente um que come castanhas demais.

A primavera e o verão vieram e foram. Nancy estava realmente ansiosa pelo inverno. Não comia castanhas desde o ano passado, mas mais do que isso, sentia falta de Papa Giuseppe — e de Waggy também.

Ela se lembrava de ter perguntado a Papa Giuseppe quando ele voltaria. "No dia seguinte ao Dia de Ação de Graças," exclamara ele. "Sexta-feira Negra! O dia de compras mais popular do ano! É quando Waggy e eu faremos nosso grande retorno."

No Dia de Ação de Graças, Nancy já estava pensando em Papa Giuseppe, Waggy e aquelas castanhas deliciosas. "Acho que o inverno não é tão ruim," declarou Nancy para sua mãe.

Nancy e sua mãe saíram cedo. Sua mãe tinha um roteiro de Sexta-feira Negra, e planejaram chegar à esquina da Rua Appleton, perto do Dillon's, pouco antes do meio-dia. Papa Giuseppe certamente estaria lá.

Mas quando chegaram, Papa Giuseppe não estava em lugar nenhum. "Onde ele está?" chorou Nancy.

"Vamos fazer compras e verificar depois," sugeriu sua mãe.

"Não!" protestou Nancy. "Não vou a lugar nenhum até vê-lo."

Decidiram esperar. Cerca de dez minutos depois, um homem apareceu, empurrando um carrinho de castanhas. Havia um cachorrinho malhado — marrom e branco ou branco e marrom — era difícil dizer. E o rabo? Continuava abanando, como sempre. Era definitivamente Waggy.

Mas o homem... não parecia Papa Giuseppe. Caminhava devagar. Não tinha a mesma centelha no passo. Estava curvado, apoiando-se no carrinho. Aquele não podia ser Papa Giuseppe.

Mas quando o homem se aproximou, Nancy viu um largo sorriso se abrir em seu rosto — era Papa Giuseppe, afinal. Mas o que havia acontecido com ele?

Nancy correu até Papa Giuseppe e lhe deu um grande abraço. Depois ajoelhou e envolveu Waggy em seus braços, apertando-o como se pudesse ser a última vez.

"Senti tanto a sua falta!" exclamou Papa Giuseppe. "Estive esperando para te ver desde o último inverno."

"Mesmo? De verdade?" chorou Nancy. "Eu também senti sua falta!"

Então o sorriso de Nancy ficou sério. "Mas... o que aconteceu? Você não está andando do mesmo jeito. Você está bem?"

"Bem," disse Papa Giuseppe, "minha mente está bem. Mas meu corpo está envelhecendo — mais rápido do que consigo acompanhar. Vou fazer 86 em algumas semanas."

"Quando é seu aniversário?" perguntou Nancy.

"19 de dezembro," respondeu Papa Giuseppe.

"Viu?" disse a mãe de Nancy, rindo. "Você é um bebê de Natal!"

"Não exatamente," riu Papa Giuseppe, "mas todos dizem que pareço Papai Noel."

"Bem, queremos comemorar com você e Waggy no seu aniversário," declarou Nancy. "Não aceitamos não como resposta."

Papa Giuseppe sorriu de novo, e seu rosto ficou um pouco vermelho — igualzinho ao Papai Noel. Não sabia o que dizer.

"Então está decidido," disse Nancy. "19 de dezembro. Estaremos aqui às 11 da manhã antes de você começar seu dia."

"Combinado," riu Papa Giuseppe. "Vamos comemorar com castanhas!" E tirou as maiores castanhas que Nancy já tinha visto. "Guardei estas especiais só para você."

Os olhos de Nancy brilharam de prazer. "O inverno é a melhor estação de todas," pensou.

Waggy olhou para ela. Ele com certeza concordava.

Os dias passaram, e Nancy e sua mãe visitaram Papa Giuseppe mais algumas vezes antes de seu grande dia — 19 de dezembro.

Nancy queria fazer um bolo mais saudável para a comemoração. Decidiu fazer bolo de cenoura e usou apenas metade do açúcar que a receita pedia. "Papa Giuseppe precisa cuidar da dieta se quiser viver mais 85 anos," brincou. "A barriga dele está ainda maior que no ano passado!" acrescentou Nancy.

"Sabe," respondeu sua mãe gentilmente, "Papa Giuseppe não vai viver para sempre — não importa quanto açúcar você tire."

"É verdade, mãe. Mas... nunca se sabe."

Quando o dia especial chegou, Nancy e sua mãe vestiram suas melhores roupas de domingo. Levaram a Papa Giuseppe um presente — luvas grossas de couro para manter suas mãos aquecidas enquanto ele assava castanhas. Suas luvas velhas tinham buracos, e até o dedo mindinho saía por uma delas.

Para a surpresa delas, Papa Giuseppe já as estava esperando quando chegaram. Até tentou se arrumar, vestindo um belo suéter — mas ainda tinha quase tantos buracos quanto suas luvas!

Decidiram ir a um pequeno restaurante italiano chamado Angelo's, de onde podiam ficar de olho no carrinho de Papa Giuseppe e em Waggy pela janela.

"Este é um dos dias mais felizes da minha vida," disse Papa Giuseppe, "com duas das minhas pessoas favoritas no mundo inteiro."

Nancy e sua mãe sorriram. Depois de uma gigantesca tigela de massa, a garçonete trouxe o bolo de cenoura.

"Não havia espaço para 85 velas," explicou Nancy, "então colocamos oito e cortamos a última pela metade!"

Papa Giuseppe fitou as velas acesas. A luz delas se refletia em seus olhos, e uma lágrima escorreu por sua bochecha. Então fechou os olhos, fez uma pausa, respirou muito fundo — e apagou as pequeninas oito velas e meia.

Nancy cortou o bolo e, para a surpresa de Papa Giuseppe, deu a ele apenas um pedaço pequeno. "Não se preocupe, Papa Giuseppe," disse. "Dou outro se quiser."

Lá fora, Waggy espiava pela janela e latia, esperando que tivessem guardado um pedaço para ele também.

Era hora de se despedir. Papa Giuseppe amou suas luvas novas. Colocou-as na hora e deu a Nancy e sua mãe um saco de papel quente cheio de castanhas para a viagem de volta.

Todos estavam felizes — exceto Waggy. Queria passar mais tempo com Nancy, e ninguém havia guardado um pedaço de bolo de cenoura para ele.

No fim de semana antes do Natal, Nancy e sua mãe se prepararam para ver Papa Giuseppe de novo. Queriam levar-lhe um presente de Natal. A mãe de Nancy passara a semana inteira tricotando um suéter — grosso e aconchegante, só para ele.

Quando viraram a esquina de Charleston e Prospect, Papa Giuseppe não estava em lugar nenhum. Perguntaram a um policial: "O senhor viu o velho que vende castanhas?"

"O velhinho? O vendedor de castanhas?" respondeu. "Não o vejo há uns dias."

Nancy e sua mãe queriam ligar para ele, mas não tinham seu número. Nem sequer sabiam seu endereço.

"Vamos voltar na véspera de Natal," disse Nancy, "bem antes do almoço, quando ele normalmente chega."

Naquela tarde, voltaram à esquina. Ainda nenhum sinal de Papa Giuseppe.

"Vamos embora," disse a mãe de Nancy. "Está frio."

"Não," disse Nancy. "Não vou sair daqui até Papa Giuseppe chegar."

Nesse momento, apareceu um cachorrinho malhado de marrom e branco — ou de branco e marrom. Era difícil saber se era o rabo que abanava o cachorro ou o cachorro que abanava o rabo. Mas era, sem dúvida, Waggy.

Mesmo assim, Waggy parecia estar abanando um pouco menos que o normal.

O coração de Nancy apertou. Sabia que algo estava errado — terrivelmente errado.

Waggy caminhou até o lugar onde Papa Giuseppe sempre ficava, na esquina de Montgomery e Appleton, bem em frente ao Dillon's. Nancy ficou no mesmo lugar, abraçando Waggy.

Não. Não podia ser verdade. Mas podia ver nos olhos de Waggy. Papa Giuseppe não viria vender castanhas de novo.

Todos os outros entravam e saíam da loja. Carros rugiam, buzinas tocavam. Ninguém parecia notar que Papa Giuseppe não estava lá. Ninguém parecia se importar.

Nancy e sua mãe abraçaram Waggy, e ficaram lá por muito tempo. Por volta do horário que Papa Giuseppe normalmente voltava de seu intervalo, Waggy se levantou e começou a caminhar lentamente pela rua.

Nancy e sua mãe se olharam.

"Vamos segui-lo," disse Nancy.

Seguiram Waggy por toda a Walcott Street. "Como Papa Giuseppe conseguia caminhar tão longe?" Nancy pensou em voz alta.

Viraram à direita no cemitério na Pine Street e caminharam mais dois quarteirões. Uma placa de madeira envelhecida apareceu. Letras prateadas desbotadas diziam: Casa de Repouso Bishop's.

O prédio era de pedra antiga. Velas de Natal cintilavam nas janelas, e uma pequena guirlanda pendia na porta, decorada com uma ou duas pinhas.

Waggy subiu até os degraus da frente e soltou um latido suave. Uma senhora mais velha vestida de freira abriu a porta. Olhou para Waggy, balançou a cabeça e pareceu repreendê-lo suavemente.

Nancy e sua mãe observavam do outro lado da rua, escondidas atrás do grosso tronco de um carvalho coberto de neve.

"O que devemos fazer?" sussurrou Nancy. "Estou com medo. E se algo aconteceu a Papa Giuseppe?"

A mãe de Nancy colocou uma mão reconfortante no ombro da filha, sem saber o que pensar.

"Viemos até aqui," disse Nancy, de repente reunindo coragem. "Não podemos parar agora."

Caminharam lentamente até a porta da frente. A aldrava tinha a forma de uma cabeça de alce. Nancy a levantou e bateu três vezes.

"Quem é?" chamou uma voz de dentro, tingida de bondade e cautela.

"É a Nancy — e minha mãe," disse. "Vimos Waggy vir para cá. Estamos procurando Papa Giuseppe."

A porta se abriu. Não era a freira. Era uma mulher pequena com óculos e um avental vermelho engraçado.

"Bem, entrem," disse com um sorriso. "Tenho uma história para contar a vocês."

"Papa Giuseppe é um homem peculiar," a mulher começou enquanto os guiava para dentro. Tinha bochechas rosadas — igualzinhas às de Papa Giuseppe — e óculos que escorregavam pelo nariz.

"Sentem-se," disse calorosamente. Entraram em uma grande sala de estar. Alguns idosos sentavam tranquilamente no fundo em sofás aconchegantes.

Nancy e sua mãe sentaram perto de uma grande lareira com uma cornija de pedra. Dezenas de quebra-nozes alinhavam a cornija, cercados por enfeites de sempre-verde.

"Posso trazer um chocolate quente?" perguntou a mulher.

"Sim, por favor," disse Nancy.

"Eu também adoraria uma xícara," acrescentou sua mãe.

Enquanto esperavam, Nancy notou várias pinturas antigas penduradas nas paredes. Aproximou-se para olhar mais de perto.

"Ei, mãe," chamou. "Aqui tem uma que parece igualzinha a Papa Giuseppe!"

Sua mãe se aproximou e olhou para a pintura. "Não, querida," disse. "Essa pintura é datada de 1805. Tem mais de duzentos anos. Não tem como ser Papa Giuseppe."

"Mas olhe!" Nancy apontou. "Algumas dessas outras parecem a senhora do avental vermelho!"

Nesse momento, a mulher voltou, carregando duas xícaras de chocolate quente em uma bandeja.

"Ah, essas pinturas," disse com uma risada. "Estão aqui há anos. Quase não as noto mais. Só trabalho aqui há vinte e cinco anos."

"Só?" ecoou a mãe de Nancy, surpresa. "Parece muito tempo."

"É tudo relativo," respondeu a mulher. "Quanto mais velho você fica, mais curtos parecem vinte e cinco anos."

Então virou-se para Nancy e sorriu por cima dos óculos. "E você, minha doce criança — vinte e cinco anos devem parecer uma eternidade."

"Onde está Papa Giuseppe?" Nancy deixou escapar, ficando ansiosa. "Ele está bem?"

"Oh, querida, não se preocupe," disse a mulher gentilmente. "Todos por aqui o chamam de Papa. Ele só saiu, como sempre faz nesta época do ano."

Os olhos de Nancy se encheram de lágrimas. "Pensei que algo tinha acontecido com ele..."

"Não, querida," disse a mulher com bondade. "Ele está bem. Está ficando velho, claro — mas ainda tem muito trabalho a fazer. Papa está bem."

"Mas esperávamos vê-lo hoje, em frente ao Dillon's. Waggy estava lá sem ele."

"Waggy," a mulher riu, "é tão preso à sua rotina que vai àquela esquina todos os dias, esteja Papa lá ou não."

Ela se inclinou mais perto. "E além disso... com crianças como você na vida dele, Papa vai ficar por perto o máximo que puder. Eu prometo."

"Isso significa para sempre?" perguntou Nancy suavemente.

"Bem, essa é uma palavra grande," disse a mulher. "Para sempre significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Para alguns, é enquanto vivem. Para outros, realmente significa para sempre."

Ela estendeu a mão e gentilmente segurou a mão de Nancy. "Tenho certeza de que Papa ficará enquanto puder. Vamos dizer assim."

Nancy e sua mãe terminaram seu chocolate quente, agradeceram a mulher e saíram da casa de repouso.

Nos dias seguintes, passavam pelo Dillon's toda tarde. E todos os dias, Waggy estava lá, esperando, rabo abanando um pouco menos que antes.

Nancy sempre trazia petiscos para ele. "Não se preocupe, Waggy," sussurrava. "Papa vai voltar. Também sentimos falta dele."

Na véspera de Natal, Nancy esperou em silêncio pelo Papai Noel. Deixou uma pequena fatia de bolo de cenoura — porque não queria que o Papai Noel ficasse pesado demais.

Ao lado, deixou um bilhete:

Querido Papai Noel, Tudo o que quero de Natal é saber que Papa Giuseppe está seguro e que estará conosco por muito tempo. Sinto muita falta dele. Com amor, Nancy

Ela colocou o bilhete ao lado do bolo de cenoura e foi para a cama. Mas não conseguiu pregar o olho. Ficava olhando para o relógio. Quanto mais tarde ficava, mais pesadas se tornavam suas pálpebras… até que, por fim, adormeceu.

Lá fora, o vento uivava. Nancy se mexeu na cama. Pensou ter ouvido o bater de passos no telhado — e o suave tilintar de sinos.

A vela em seu quarto ainda brilhava fracamente, e a lua estava cheia, lançando uma suave luz prateada pelo chão.

Será que é o Papai Noel? pensou, puxando as cobertas até o queixo.

Então ouviu um barulho — talvez o Papai Noel tivesse derrubado os acessórios da lareira. Talvez não fosse tão gracioso afinal.

Depois veio o som de leite sendo bebido. "Deve estar com sede," pensou Nancy.

Então veio um som que ela não esperava. Choro.

O Papai Noel poderia estar... chorando?

Nancy sentou-se. Empurrou as cobertas e foi na ponta dos pés até a escada. Lá, no brilho das luzes da árvore, estava o Papai Noel — sentado no sofá, a cabeça nas mãos, soluçando suavemente.

Os enfeites tremiam. Até a árvore parecia tremer. O bilhete estava nas mãos do Papai Noel. O bolo de cenoura havia desaparecido. Nem uma migalha restava.

Nancy se aproximou e gentilmente colocou a mão em seu ombro. "Vai ficar tudo bem, Papai Noel," disse. "Vai ficar tudo bem."

O Papai Noel parou, fungou e olhou para cima. "Nancy? É você?"

A voz soou familiar.

"Sim, Papai Noel. Sou eu. O que houve? Por que está chorando?"

"É o seu desejo," disse o Papai Noel baixinho. "Não tenho certeza se posso realizá-lo."

Ele suspirou. "Veja, eu lido com presentes, não com pessoas. Minha especialidade é fabricar, embrulhar e entregar."

Ele olhou para baixo de novo. "Mas..." Levantou a cabeça lentamente e sorriu. "Tenho uma ideia. Mas você deve prometer — prometer que nunca contará a ninguém. Isto deve ficar dentro do seu sonho."

Então abaixou completamente as mãos do rosto.

Nancy ficou boquiaberta. "Papa Giuseppe! É você! Você é o Papai Noel!"

"Sim, minha querida," disse, rindo entre lágrimas. "Eu sou o Papai Noel."

Nancy correu para seus braços e lhe deu o maior abraço que ele já recebera.

"E aquele bolo de cenoura," sussurrou, "estava delicioso. Muito melhor para mim do que os milhares de biscoitos de chocolate que normalmente como."

Ela riu. "Mas Papa Giuseppe... como você faz tudo? Como você vende castanhas e trabalha como Papai Noel?"

"Bem," disse ele, com um brilho nos olhos, "os elfos fazem a maior parte do trabalho. Quase tudo fica pronto no verão, quando está mais quente no Polo. Gosto de passar os dias antes do Natal observando — e ficando com crianças como você. Você é uma das minhas favoritas, Nancy."

Inclinou-se mais perto. "Tenho casas por todo o mundo — pequenas — onde vou para ficar de olho nas coisas. E muitos ajudantes como a Dona Rosalee na casa de repouso."

Nancy olhou para ele, maravilhada.

"Quando li seu bilhete," continuou, "meu coração se partiu. Sabia que não poderia te dar a única coisa que mais queria. Mas agora..."

Nancy o interrompeu, seus olhos brilhando. "Mas agora você deu, Papai Noel. Tenho o melhor presente do mundo inteiro — e é você."

Ele sorriu. "Esse, minha querida," sussurrou, "é o verdadeiro segredo do Natal. Os presentes mais importantes... são as pessoas. As pessoas em nossas vidas são os maiores presentes de todos."

Então se inclinou e beijou dois dedos e os colocou gentilmente na testa de Nancy. "Bons sonhos, Nancy. Bons sonhos."

Quando Nancy acordou na manhã seguinte, sorriu... e fez uma pausa. Teria sido tudo apenas um sonho?

Pulou da cama e correu até a árvore de Natal. O chão embaixo estava coberto de presentes. A fatia de bolo de cenoura que havia deixado desaparecera — nem uma migalha restava.

Os acessórios da lareira estavam derrubados. Será possível?

Ainda era cedo. Seus pais dormiam profundamente. Nancy não podia esperar. Pegou a meia da cornija da lareira e despejou o conteúdo no chão.

Chocolate. Bengalas de açúcar. Algumas caixinhas embrulhadas. E então — bem no fundo — algo que não esperava.

Uma castanha gigante. A maior que já tinha visto.

Nancy a segurou delicadamente na mão. Sabia, lá no fundo, que não era uma castanha qualquer. Era do tipo que só Papa Giuseppe — só o Papai Noel — poderia ter dado a ela.

Mais tarde, quando seus pais desceram e abriram todos os presentes, Nancy sorriu largo. Amou os presentes. De verdade.

Mas depois que a última fita foi desembrulhada e a última caixa aberta, Nancy olhou para cima e disse:

"Estes presentes são maravilhosos. Amo muito eles... mas vocês dois" — apontou para a mãe e o pai — "vocês são os melhores presentes de todos."

Então correu e deu a ambos um abraço gigante.

E naquele momento, eles souberam —

Nancy havia descoberto o verdadeiro significado do Natal.

Não foi até o Ano Novo que Nancy viu Papa Giuseppe de novo. Ela e sua mãe decidiram passar pelo Dillon's para ver se ele estaria por perto.

E lá estava ele — Papa Giuseppe e Waggy, bem na esquina de Newbury e Dartmouth, vendendo castanhas como sempre.

"Nancy, minha querida!" Papa Giuseppe chamou enquanto ela corria em sua direção, braços abertos. Ela caiu direto em sua barrigona, abraçando-o exatamente como fizera na véspera de Natal.

"Senti tanta falta!" exclamou Nancy.

"Tive que sair por um tempo," disse, abraçando-a forte. "Havia outro trabalho que precisava cuidar."

"Você teve um bom Natal, Papa Giuseppe?"

Ele olhou em seus olhos e sorriu. "Sim, Nancy. Foi o melhor de todos."

Ela piscou. Ele levantou uma sobrancelha, surpreso — mas piscou de volta.

"Qual foi seu presente favorito, Nancy?" perguntou.

"Bem," disse, tentando evitar que seu sorriso explodisse, "foi a castanha que o Papai Noel me deu. A castanha gigante."

A mãe de Nancy olhou para ela, confusa. "Que castanha, Nancy?"

Nancy riu. "Foi o único presente que comi antes de vocês acordarem. A maior castanha que já vi."

Papa Giuseppe riu. "Bem, não sei se minha castanha será maior que a do Papai Noel... mas estive guardando este presentinho para você há um tempo."

Entregou a ela uma cesta. Não apenas uma das maiores castanhas que já vira — mas uma cesta inteira.

Então a mãe de Nancy deu uma cutucadinha nela, e Nancy lembrou do presente que havia trazido para Papa Giuseppe — ou melhor, para o Papai Noel.

Ela enfiou a mão na bolsa e tirou um suéter de tricô feito à mão, carinhosamente feito por sua mãe durante as férias. Era um XL duplo.

"E tem mais uma coisa, Papa Giuseppe," disse Nancy, sorrindo. "Uma fatia do seu bolo de cenoura favorito. Igualzinho ao que tivemos quando..."

Ela parou, colocando dois dedos nos lábios dele. "Lembre-se, Papa Giuseppe — é um segredo."

Ele sorriu sabiamente.

"Os melhores presentes de todos," disse ela, "são as pessoas."

"Mas essas castanhas também são deliciosas," acrescentou.

Waggy soltou um latido, como se dissesse: Guarde uma pra mim!

"O inverno não é tão ruim," disse Nancy. "Na verdade, é minha estação favorita. Este foi o melhor Natal de todos."

Waggy não poderia concordar mais. Abanou o corpo inteiro em aprovação.

E finalmente, Papa Giuseppe disse: "Este ano, tenho um presente de Natal só meu — família para celebrar."

Ele envolveu o braço ao redor de Nancy. A mãe de Nancy puxou os dois para perto.

Waggy deu outro latido. Ele com certeza concordava.

A story by Pemba Umoja