Baobá
Uma Escultura, um Longo Voo e a Mais Verdadeira Representação do Amor
Era a árvore mais bonita que Anam já vira, um baobá duplo. Parecia duas árvores presas num abraço interno, entrelaçadas, a personificação do amor.
Perto da árvore, havia uma pequena associação de artistas que esculpiam árvores em madeira de teca. Tinham uma permissão especial do governo para usar apenas a madeira de árvores caídas, ajudando a proteger as árvores ameaçadas de extinção.
Anam notou a árvore de Patrick imediatamente. Não esperava se apaixonar por uma escultura também.
Mas como resistir às suas curvas suaves, quase infinitas, envolvendo-se umas nas outras? A escultura do baobá duplo era bem grande. Ele nem pretendia comprar nada, mas o amor faz mudar de ideia. Passou de nem saber que existia a não querer viver sem ela.
Patrick lhe fez um bom preço. Era um bom homem, um artista. Ficou contente com a paixão de Anam pela sua arte. Os dois tiraram uma foto juntos com a escultura.
— Vou estimar sua arte — Anam assegurou a Patrick.
Foi um longo voo de volta para Dar es Salaam. A placa no balcão da companhia aérea chamou a atenção de Anam.
“Proibido transportar esculturas de baobá de madeira como bagagem de mão.”
Anam havia planejado levar a escultura nas mãos, garantindo a proteção de sua promessa a Patrick.
— Vou estimar sua arte — ele havia prometido.
Anam só tinha uma mochila maleável. Virou-se para a esposa e o filho. Ambos tinham malas de rodinhas maiores.
— Vocês se importam se eu puser a escultura na mala de vocês? Assim vocês poderiam despachar a bagagem — ele lhes perguntou.
— Não tenho espaço e não vou despachar minha mala — disparou a esposa de Anam.
— A conexão é muito curta. Não vou perder minha mala. Só peça para colocarem uma etiqueta de frágil — respondeu seu filho, bruscamente.
— Mas pode quebrar — suplicou Anam.
— É só enrolar em algumas roupas — disseram, com descaso, puxando as malas para mais perto de si.
Anam balançou a cabeça. Se a situação fosse inversa, ele os teria ajudado.
Anam enrolou os galhos delicados do baobá com um sarongue e uma camiseta.
— Desculpe, não temos etiquetas de frágil — disse a pequena funcionária da companhia aérea, sua cabeça mal passando da altura do balcão.
Depois de uma longa jornada, Anam e sua família chegaram em casa. Ele subiu para abrir a mala e desembrulhar a escultura do baobá.
Pequenos pedaços de madeira caíram em sua palma.
Os galhos delicados haviam se quebrado em quatro ou cinco pedaços.
Por mais que tentasse, Anam colou os galhos quebrados. Eram tão intrincados que foi difícil encaixá-los perfeitamente. Nisso residia parte da maestria de Patrick.
Anam fez o seu melhor. Linhas de falha apareceram nos galhos.
Agora era uma escultura que lembraria Anam de algo diferente do amor eterno.
Ele a colocou bem no centro da mesa da sala de estar, para que sua família a visse todos os dias.
Ali a árvore permaneceu enquanto a vida e os anos passavam.
Em seus últimos anos, um Anam muito mais velho percebeu que talvez a escultura, com suas linhas de falha e tudo, fosse a mais verdadeira representação do amor.
A story by Pemba Umoja