Voo
Planar
Tudo acelerou.
Eu estava em uma rodovia, vento nos cabelos.
Então o volante começou a tremer.
Eu estava rápido demais. Não conseguia desacelerar.
Um vento frio me envolveu, mas não conseguia fechar as janelas.
O carro me conduzia.
Sua velocidade me levou embora.
Descemos perigosamente ladeira abaixo em direção ao Pacífico.
Não conseguia virar o volante.
Eu ia em direção ao penhasco.
E lá aconteceu.
Quando meu carro rompeu a barreira, pude vê-lo cair — mas eu não estava mais dentro.
Eu era uma gaivota circulando as falésias.
Pude ver o carro explodir, chamas laranjas lá embaixo, antes que as ondas gigantes apagassem o fogo.
Planando no ar em direção ao horizonte, rumo ao pôr do sol.
Tudo que importava daquela vida eu ainda tinha — o amor da família, minha alma, paz.
Pela primeira vez, senti o vento correndo sob minha asa —
permitindo-me planar.
A poem by Pemba Umoja